diário de uma desmorte

19:04

dia I
sempre dói no primeiro dia
a gente passa pomada e descura
eu clara mente
enobrecendo

                                                                na calma


dia II
coroado de semicolcheias
mahler e chopin, lágrimas
frente às mãos
batendo no sentilógrafo
a sala do diretor (só cal)
afundada no sal
da piscina que inundei com olhos
infantis e pacíficos.

dia III

cruzei a rua proibida
e mordáucia custa televisão de quarenta e duas polegadas
ou claro
o proibido custa claro
trevas são danação
se não tiver uma televisão de quarenta e duas polegadas
o filme de terror à noite
corpo que bóia no lago na praia
nos rios do mississippi
encontrado pelos detetives pelas mocinhas
ou pelos cantores de blues
robert johnson caçou algo para comer com o corpo encontrado
nas cordas do violenda que escolheu pra instrumentar
robert johnson e os bons homens escolhidos por deus
só tocam violenda e les paul roxa
roxo é cor de atrasada identificação moderna -
cor dos olhos viralatentos das boas esposas
no mississippi no méier no fim do mundo
o mundo acaba mas o inchaço continua
esta pomada vai se esgotar muito rápido
fatalmente é fatal e não restaram outros portões
talvez os da saída do cinema - o bom e velho escapismo
escapismo é cura imaginada pra inchaço
mas tem fila e dói

dia IV

a dor é mais sonora no silêncio.

_Gabriel Resende Santos_

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